Porque sabes que eu estou aqui. Porque eu sei que me sabes ler no silêncio.
Domingo, 30 de Janeiro de 2005
Escalar-te
escalar.jpg



publicado por SigurHead às 12:14
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Sábado, 29 de Janeiro de 2005
Compreendes?
Compreendes o que sinto?
Compreendes o que sinto quando abandono todas as palavras por nós devoradas em noites de uma luz semicerrada?
Compreendes o que sinto quando te busco incessantemente na cama inerte que jaz deserta de ti?
Compreendes o que sinto quando rego em vão as flores que murcharam no dia que partiste?
Compreendes o que sinto quando dou por mim sem ser mais do que uma personagem numa peça de teatros vazios?
Compreendes o que sinto quando és frase solta que deambula em páginas esvoaçantes de um livro que para mim se torna impossível ler?
Compreendes o que sinto quando o meu ecoar sou eu sem ti?
Compreendes?


publicado por SigurHead às 10:30
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...
Partiste e, de tudo o que te rodeava, fiquei eu, preso apenas por um pedaço de pele à saudade do passado. Não mais tacteio os teus passos, não mais ouço os gemidos breves com que assinalavas a posse breve do teu corpo.
Partiste e é tudo tão triste. As tuas mãos. As minhas rugas. O meu corpo nu, só. O nosso amor, passado. O meu desespero, feito de tudo, feito de nada.


publicado por SigurHead às 10:25
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Pessoa
FP.jpg



publicado por SigurHead às 00:05
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Lunário
Nesse mesmo instante, abriu as mãos e estendeu-as como se acabasse de regressar da sua própria morte. Sorriu, ao descobrir que a paixão seja ela qual for é efémera também, como ele, como o rapaz sem nome ali sentado, como a vida, e tem de ser partilhada como um dom - sem demora.
- Aqui tens as minhas mãos - disse lentamente - elas estão sujas de outros corpos e de noites sem felicidade, estão turvas porque ninguém as quer há muito tempo. Mas se as quiseres, mesmo assim, por pouco tempo que seja, pertencem-te.
- Como te chamas? Dás-me um cigarro?
- Chamo-me Beno. Queres lume? E tu como te chamas?
O rapaz acendeu o cigarro e depois disse:
-Vou guardar as tuas mãos na paixão que tenho por ti, mas não te posso revelar o meu nome, nem precisas de o saber. Chama-me o que quiseres, dá-me tu um nome para que possamos amarmo-nos. Aquele que tinha perdi-o no caminho até aqui. Pertencia a outra paixão, e já a esqueci. Dá-me tu um nome, para poder ficar contigo.
- Se assim o queres teremos as noites e os dias para nomear a nossa paixão.
- E vais dar-me um nome de planta, de objecto, ou de pássaro?
- Não sei, não sei ainda.
Calaram-se (...)
- Medo de viver? - sussurrou o rapaz.


publicado por SigurHead às 00:00
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Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2005
O Pequeno Príncipe
Capítulo XXI
"(...)
Foi então que apareceu a raposa.
- Olá, bom dia! - disse a raposa.
- Olá, bom dia! - respondeu delicadamente o principezinho que se voltou mas não viu ninguém.
- Estou aqui - disse a voz - debaixo da macieira.
- Quem és tu? - perguntou o principezinho. - És bem bonita...
- Sou uma raposa - disse a raposa.
Anda vem brincar comigo - pediu-lhe o principezinho. - Estou triste...
- Não posso ir brincar contigo - disse a raposa. - Não estou presa...
- AH! Então, desculpa! - disse o principezinho.
Mas pôs-se a pensar, a pensar, e acabou por perguntar:
- O que quer dizer estar preso?
- Vê-se logo que não és de cá - disse a raposa. - De que é que tu andas à procura?
- Ando à procura dos homens - disse o principezinho. - O que quer dizer estar preso?
- Os homens têm espingardas e passam o tempo a caçar - disse a raposa. - É uma grande maçada! E também fazem criação de galinhas!
Aliás, na minha opinião, é a única coisa interessante que eles têm. Andas à procura de galinhas?
- Não - disse o principezinho. Ando à procura de amigos. - O que quer dizer estar preso?
- É a única coisa que toda a gente se esqueceu - disse a raposa. - Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
- Laços?
- Sim, laços - disse a raposa. - Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me prenderes a ti, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passo a ser única no mundo...
- Parece-me que estou a começar a perceber - disse o principezinho. - Sabes, há uma certa flor...tenho a impressão que estou presa a ela...
- É bem possivel - disse a raposa. - Vê-se cada coisa cá na Terra...
- OH! Mas não é da Terra! - disse o principezinho.
A raposa pareceu ficar muito intrigada.
- Então, é noutro planeta?
- É.
- E nesse tal planeta há caçadores?
- Não.
- Começo a achar-lhe alguma graça...E galinhas?
- Não.
- Não há beleza sem senão...- disse a raposa.
Mas a raposa voltou a insistir na sua ideia:
- Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu, caço galinhas e os homens, caçam-me a mim. As galinhas são todas iguais umas às outras e os homens são todos iguais uns aos outros. Por isso, às vezes, aborreço-me um bocado. Mas, se tu me prenderes a ti, a minha vida fica cheia de sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca, como uma música. E depois, olha! Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? Eu não como pão e, por isso, o trigo não me serve de nada. Os campos de trigo não me fazem lembrar de nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando eu estiver presa a ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar do barulho do vento a bater no trigo...
A raposa calou-se e ficou a olhar durante muito tempo para o principezinho.
- Por favor...Prende-me a ti! - acabou finalmente por dizer.
- Eu bem gostava - respondeu o principezinho - mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer...
- Só conhecemos as coisas que prendemos a nós - disse a raposa. - Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, prende-me a ti!
- E o que é preciso fazer? - perguntou o principezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim, em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não me dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto...
O principezinho voltou no dia seguinte.
- Era melhor teres vindo à mesma hora - disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito...São precisos rituais.
- O que é um ritual? - perguntou o principezinho.
- Também é uma coisa de que toda a gente se esqueceu - respondeu a raposa. - É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias e uma hora, diferente das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, têm um ritual, à quinta-feira, vão ao baile com as raparigas da aldeia. Assim, a quinta-feira é um dia maravilhoso. Eu posso ir passear para as vinhas. Se os caçadores fossem ao baile num dia qualquer, os dias eram todos iguais uns aos outros e eu nunca tinha férias. Foi assim que o principezinho prendeu a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
- Ai! - exclamou a raposa - ai que me vou pôr a chorar...
- A culpa é tua - disse o principezinho.- Eu bem não queria que te acontecesse mal nenhum, mas tu quiseste que eu te prendesse a mim...
- Pois quis - disse a raposa.
- Mas agora vais-te pôr a chorar! - disse o principezinho.
- Pois vou - disse a raposa.
- Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! - disse a raposa. - Por causa da cor do trigo...
Depois acrescentou:
- Anda, vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo.
O principezinho lá foi ver as rosas outra vez.
- Vocês não são nada parecidas com a minha rosa! Vocês ainda não são nada - disse-lhes ele. - Não há ninguém preso a vocês e vocês não estão presas a ninguém. Vocês são como a minha raposa era. Era uma raposa perfeitamente igual a outras cem mil raposas. Mas eu tornei-a minha amiga e, agora, ela é única no mundo.
E as rosas ficaram bastante incomodadas.
- Vocês são bonitas, mas vazias - ainda lhes disse o principezinho. - Não se pode morrer por vocês. Claro que, para um transeunte qualquer, a minha rosa é perfeitamente igual a vocês. Mas, sózinha, vale mais do que vocês todas juntas, porque foi a que eu reguei.
Porque foi a ela que eu pus debaixo de uma redoma. Porque foi ela que eu abriguei com o biombo.. Porque foi a ela que eu matei as lagartas (menos duas ou três, por causa das borboletas). Porque foi a ela que eu vi queixar-se, gabar-se e até, às vezes, calar-se.
Porque ela é a minha rosa.
E então voltou para o pé da raposa e disse:
- Adeus...
- Adeus - disse a raposa. Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa...
- Sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
(...)"
Antoine de Saint-Exupéry
(*) O Pequeno Príncipe


publicado por SigurHead às 22:15
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Se duvidas...
Se duvidas que teu corpo possa estremecer comigo e sentir o mesmo desejo carnal desnuda-o completamente. Deixa-te cair nos meus braços e não fales. Não digas nada porque o silencio dá mais liberdade ás coisas do amor. Se o que vês no meu olhar para ti ainda é pouco, se não tens a certeza deste desejo sentido então pede-me a vida leva tudo o que tenho. Leva tudo o que for necessário para me sentir compreendido.


publicado por SigurHead às 21:39
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Terça-feira, 25 de Janeiro de 2005
Mãos cheias de sonhos
Fui não porque me tenhas iludido ou te mascarado. Mas porque trazias as mãos cheias de sonhos. E eu precisava tanto acreditar. Saber-me vivo com capacidade de sonhar...


publicado por SigurHead às 23:01
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José Luis Peixoto in Uma Casa na Escuridão
Para mim, tudo tinha parado. Mesmo que o dia nascesse, mesmo que as coisas vivas começassem lentamente a acordar. Para mim, tudo tinha parado. O dia podia nascer, os pássaros podiam cantar, que, para mim, o tempo tinha parado num tempo de noite e de morte. Para mim, os pássaros não existiam, porque eu não acreditava nos pássaros a cantarem. Mas os corpos começavam a mexer-se. Os pássaros cantavam. Os dias nasciam. O céu brilhava. Eu sabia tudo aquilo em que não acreditava e estava ainda mais sozinho, ainda mais sozinho por isso. Eu estava tão sozinho que a minha solidão, eu, tinha sido recortada com precisão do mundo. Os meus contornos eram exactos a isolarem-me do mundo. Eu não queria existir. Eu não queria que o meu rosto fizesse parte das coisas que podem ver-se. Eu queria que os espelhos não me reflectissem, que ninguém me ouvisse, que ninguém soubesse da minha voz ou se lembrasse do meu nome, do meu rosto, das minhas memórias. Eu queria não ser sequer algo que se esquece. Lutava sozinho contra as manhãs.


publicado por SigurHead às 22:52
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Domingo, 23 de Janeiro de 2005
Não há manhãs

BastienPons.jpg

...não há manhãs para reviver, sei-o hoje. Não se podem construir dias novos sobre manhãs que se recordam. Inventei-te talvez, partindo de uma estrela como todas estas. Quis ter uma estrela e dar-lhe as manhãs de Julho...



publicado por SigurHead às 11:22
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