Porque sabes que eu estou aqui. Porque eu sei que me sabes ler no silêncio.
Terça-feira, 29 de Março de 2005
Sigur Rós - Vidrar vel til loftarasa

 

 

ég læt mig líða áfram
avanço a deriva
í gegnum hausinn
sobre a minha cabeça
hugsa hálfa leið
pensando no caminho
afturábak
que ficou para trás
sé sjálfan mig syngja fagnaðarerindið
posso ainda ver-me a cantar esse hino
sem við sömdum saman
que escrevemos juntos
við áttum okkur draum
tivemos um sonho
áttum allt
tivemos tudo
við riðum heimsendi
viajamos até o fim do mundo
við riðum leitandi
viajamos explorando
klifruðum skýjakljúfa
escalamos arranha-céus
sem síðar sprungu upp
que mais tarde explodiram
friðurinn úti
a paz estava fora de moda
ég lek jafnvægi
perco o equilíbrio
dett niður
estou a cair
alger þögn
silencio total
ekkert svar
não há respostas
en það besta sem guð hefur skapað
mas o melhor que Deus criou
er nýr dagur
foi um novo dia

 


publicado por SigurHead às 00:32
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Sábado, 26 de Março de 2005
in Uma Casa na Escuridão, José Luis Peixoto
Para mim, tudo tinha parado. Mesmo que o dia nascesse, mesmo que as coisas vivas começassem lentamente a acordar. Para mim, tudo tinha parado. O dia podia nascer, os pássaros podiam cantar, que, para mim, o tempo tinha parado num tempo de noite e de morte. Para mim, os pássaros não existiam, porque eu não acreditava nos pássaros a cantarem. Mas os corpos começavam a mexer-se. Os pássaros cantavam. Os dias nasciam. O céu brilhava. Eu sabia tudo aquilo em que não acreditava e estava ainda mais sozinho, ainda mais sozinho por isso. Eu estava tão sozinho que a minha solidão, eu, tinha sido recortada com precisão do mundo. Os meus contornos eram exactos a isolarem-me do mundo. Eu não queria existir. Eu não queria que o meu rosto fizesse parte das coisas que podem ver-se. Eu queria que os espelhos não me reflectissem, que ninguém me ouvisse, que ninguém soubesse da minha voz ou se lembrasse do meu nome, do meu rosto, das minhas memórias. Eu queria não ser sequer algo que se esquece. Lutava sozinho contra as manhãs.


publicado por SigurHead às 18:37
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Segunda-feira, 21 de Março de 2005
Angels of the Universe - einar már gudmundsson
Lá fora está frio.
Por vezes, fico sozinho na escuridão.
Por vezes, fico deitado como uma ilha no mar frio e estremeço.
Baldvin, o Rei do Império Britânico, tinha razão: não tenho tomado conta dos meus anjos.
Já há muito que caíram na Terra e deambulam com as asas tosquiadas pelos corredores desta misteriosa casa, onde os dias passam no lento vazio de tudo o que desapareceu, ardeu e se perdeu.
Está frio lá fora.
As orlas brancas das ondas encrespam-se no mar, agora negro e eriçado como a escuridão do espaço sideral. As luzes, em Akranes, do outro lado da baía, brilham como uma distante cidade dourada, enquanto a cidade sobe e desce as colinas e as encostas, como um electricista perdido com os seus candeeiros.
É frio o vazio do espaço sideral, frias são as luzes no corredor, e os olhos da vigilante; são frios os medicamentos na bandeja.
Agora as estrelas olham fixamente o hospital e a solidão das baías estende-se na escuridão.
Talvez Chagall visse vacas a voar se estivesse aqui, ao pé da janela, onde me encontro agora, olhando as ondas desvairadas e o mar negro.
Ás vezes, oiço os violinos do mundo.
Ás vezes, vejo as montanhas brancas, de neve, a marchar.
Uma vez, vi feiticeiras a voarem por aqui, em paus de vassoura, mas foi na passagem do ano, durante o fogo de artificio.
Subo até ao pico e toco as estrelas com os dedos. Agarro nas nuvens e enrolo-as, como um cachecol, á volta do pescoço. Voo com os pássaros e desapareço, como uma baleia, rumo ás profundezas.
 


publicado por SigurHead às 16:38
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Domingo, 20 de Março de 2005
...
O importante é saber que deixei de existir...passei a viver...comecei a sentir.Agora não tentes adivinhar-me.
 
 
Sabes bem encontramo-nos sempre por acaso na vida. A tua sina não me seduz pelas marcas desalinhadas.


publicado por SigurHead às 12:14
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Quinta-feira, 17 de Março de 2005
...
A esferográfica não está gasta. A alma continua a ditar as palavras que jorram pelos dedos. Não estou gasto. Estou vivo em mim por ti mais que no começo, mais que nas noites em que o esquecimento final era a memória dos nossos corpos ainda húmidos. A eternidade apenas existe na duração de tempo determinada pela nossa vontade, desejo e querer. Por vezes, mesmo sem desistência, nada é para sempre, é enquanto existir. Amanhã, o dia clareia mais cedo.


publicado por SigurHead às 22:40
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Sábado, 12 de Março de 2005
...
Deixas-me só, isolado na vida e com medo do mundo, foste embora. Sorrias quando te falava em adultério, amor não autorizado, dizias só: somos felizes, não é? Talvez no meio da confusão que deixaste encontre uma pista para te encontrar, quem sabe um dia (o tempo pode ser infinito, assim como o meu desejo por ti). Hoje, agora que começo a perceber que só posso beber solidão em goles grandes, sinto a tua falta. Não era só ter-te deitado no sofá a fazer festas na barriga enquanto um filme francês nos distraía. Não era só ver-te a tentar cozinhar (tu nunca soubeste cozinhar, mas divertias-te a tentar). Não era só ter-te a soprar beleza ao meu ouvido, que depois a beleza se transformava na tua língua que depois descia pelo pescoço. Não era só isso, não eras só tu, éramos nós (apesar de na verdade nunca termos existido). Eu existi para ti? Nunca quis saber, penso que também não te interessasse. O que nos bastava era o momento. Para onde foi ele agora? Levaste-o contigo. Agora que te foste embora sem avisar, que deixaste a casa desarrumada, vou continuar a seguir-te e a sorrir aos teus acenos e quando, um dia perdido no infinito do tempo, nos cruzarmos não vou fazer perguntas, o amor não é curioso, vou-me deixar levar num beijo porque é assim que tudo acaba bem. À parte das saudades, hoje já sei que serás sempre aquilo que então já eras: um sedimento. Juntos podiamos ter sido uma rocha.


publicado por SigurHead às 11:08
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Domingo, 6 de Março de 2005
...
Quando estás frente a mim, os teus olhos falam das coisas, de todas as coisas que flutuam entre nós, à deriva. E eu, quando os ouço, sou como um corpo náufrago na terrível dimensão do mar onde, em cada barco afundado, há uma morte silenciosa ou um prenúncio de um amor ainda por acontecer. Fui eu quem te deu as asas para que o mundo te coubesse nas mãos e o tempo fosse infinito. Houve dias em que me senti capaz de caminhar sobre as águas do teu próprio corpo, mas isso foi antes, quando ainda havia tempo nas nossas vidas. Quando discutíamos, era como se as minhas palavras se apagassem antes de tu as escutares. Quando nos zangávamos, era como se as minhas mãos esbofeteassem o teu rosto vezes sem fim. Partíamos, era sempre como se o fizéssemos pela última vez. Recordo o ouvido junto ao telemóvel, esperando que ele toque; o olhar perdido vendo o ecrã, aguardando por uma resposta. Mas só esperei porque houve um dia que deixaste de ligar, um outro que não voltaste a escrever. Pensaste ou vens cá ou perdes-me, mas aquilo que me disseste e por inerência aquilo que escutei foi, tão só está tudo bem. E eu quis acreditar que estava de facto tudo bem, pois acreditava sempre em ti, mesmo quando me mentias e eu sabia que o fazias. Achava sempre que duvidar era profanar-te; sabia que por trás de uma qualquer mentira há sempre uma verdade, mais não seja a verdade que é a inversão da mentira que alguém conta. Mas desta vez não. Pensei: não te quero perder. Por isso sozinho decidi transformar os teus desejos encobertos, de que tinhas vergonha, em realidades medonhas, compassadas no ritmo do tempo que nos fugia. Somos peças desencontradas de um puzzle que o tempo limou para que hoje fossemos um só pedaço de um plano de uma pintura triste, esquartejada a pinceladas por um artista febril. Passas com a mão em círculos pelo meu tronco e juras que estás feliz. Adormecemos enfim, comigo exausto por te sentir tão perto e já passou mais de um ano. Soterrados pelo tempo até reduzir os nossos corpos à ideia de estarmos juntos, segundos em que dizes amo-te e eu fico com medo de te desiludir. A partir dali, do alto da tua sacrílega perfeição, foi o meu corpo aquele que aceitaste. Dali, até ao último dos nossos dias horas minuto, momento, que desejávamos que fosse dali a muito tempo, como muito era ainda o tempo a haver para que um dia acordássemos, saíssemos do quarto e, mais tarde, fossemos apenas pó de volta ao pó, tu tinhas-me aceitado. Lembro-me de me ter perguntado: para sempre?


publicado por SigurHead às 10:01
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