Porque sabes que eu estou aqui. Porque eu sei que me sabes ler no silêncio.
Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2004
Sigur Rós ( )
O principio e o fim. O céu e o inferno. A beleza e a violência. O amor e o ódio. O prazer e a dor. A vida e a morte. A esperança e a desilusão. Demasiados choques de conceitos para 71 minutos. Mistura de sentimentos bizarros . É assim ( ) a terceira produção dos Sigur Rós, quarteto islandês com oito anos de existência e pouca fama no resto do mundo se tivermos em conta outros compatriotas como Björk ou os quase mortos Gus Gus. ( ) é uma nova experiência nunca antes vista na historia da musica. Para começar o titulo é nomeado de diferentes formas por diferentes pessoas. Os temas não tem nome e as melodias são cantadas em Hopelandic, um idioma sem gramática nem ambições inventado por Jón Þór Birgisson conhecido como Jónsi a voz, a guitarra e, em grande parte, a alma de Sigur Rós. Jónsi pensa que tudo o que viveu o influencia na hora de aportar a intensidade emocional que desprende o som do grupo: a sua adolescência solitária, o ser gay e a sua forma particular de olhar o mundo "Nasci assim, nunca vi com os dois olhos. Mas gosto. Acho que se pudesse ver em estéreo, ficaria louco". O album tem mais conteúdo do que aparenta ter. Muitíssimo mais. O som de um click precede o Track 1, o órgão recorda-nos levemente "Everything in its Right Place" dos Radiohead. Depois de um lento desenvolvimento aos 02:24 somos presenteados com as primeiras vocais de Jónsi. Ásperas como uma lixa, mas claras como o mais virgem dos lagos. A melodia continua quase sem mudanças com algumas cordas proporcionadas pelo trio Amina, que já são quase parte dos Sigur Rós. O final é glorioso com vozes agudas e perfurantes. Com um soluço de sirenes somos levados o Track 2. Depois do primeiro golpe de batería a voz de Jónsi só nos aparece dois minutos depois pouco a pouco a aflição converte-se em tranquilidade até chegar o track 3. Um oásis no deserto da melancolia. Um lacónico opus de piano, que se repete varias vezes durante seis minutos hipnotizando de tal forma que a qualquer momento podemos começar a chorar sem consolo, ter um ataque incontrolado de riso ou cair no mais profundo e doce dos sonhos. Não passa muito tempo e começa o Track 4. Um hino de esperança. O clímax começa ao chegar a caixa musical de Kjartan Sveinsson que toca uma peça infantil que nos cobra um suspiro. O tema acaba com Jónsi a capela, de una forma tão serena e natural que parece estar a cantar-nos o ouvido. Um silencio de mais de meio minuto leva-nos a sentar os pés na terra depois do primeiro transe e prepara-nos para o segundo. Apesar do 5 ser o numero da vida , este Track parece ser o tema da morte. Uma triste opera que nos leva até o Track 6 que começa lento para chegar o epilogo quase solene na guitarra de Jónsi que vai seguindo até que uma distorção nos introduz no Track 7 coberto por uma aura fúnebre. A voz de Jónsi apresenta-se quebrada, o tema sobe e desce varias vezes, Jónsi a bordo do pranto grita até quase ficar rouco e completamente só. E se tudo isto parece demasiado então o melhor é esperar o Track 8. No começo normal e tranquilo um leve toque de guitarra, um arco de violino, percussões que nos lembra uma chuva sincronizada de cometas, uma voz sem distorções nem tons agudos. Uma musica sedativa sem novidades a superfície mas com um enorme segredo na sua profundidade que espera poder emergir. E o melhor momento é o silencio quando unicamente se escuta o miar de Jónsi e um toque Placebesco de Georg. A besta possui Orri. Os golpes da bateria são mais rápidos, mais fortes. Quase ensurdecedores. Até chegar a grande explosão que terá um final abrupto e acaba com o mesmo "click" do principio. ( ) é um álbum bastante recomendado, provavelmente o melhor de 2002. Funciona como um incrível sedativo para a tenção e o cansaço. Tudo é tão magico, bonito e cósmico. É como introduzir-nos numa igreja vazia e ficar ali calados em silencio. Tudo está bem quando se escuta ( ), vontade de cerrar os olhos para sempre e sentir aquela coisa que Sigur Rós nos produz, um golpe profundo no mais profundo do cérebro e porque não no coração.


publicado por SigurHead às 08:48
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