Porque sabes que eu estou aqui. Porque eu sei que me sabes ler no silêncio.
Quarta-feira, 30 de Junho de 2004
ESTE É O DOURO QUE EU AMO
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"Doiro, poema geológico", foi como o poeta Miguel Torga definiu esta região, situada no norte de Portugal, onde é fácil estabelecer laços com a História e com as suas gentes. Depois do trabalho do rio, que cavou fundo o seu leito, o homem adaptou as encostas íngremes à cultura da vinha, construindo assim uma das mais antigas regiões vitivinícolas do mundo, demarcada e regulamentada em 1765 pelo Marquês de Pombal. Região classificada Património da Humanidade pela UNESCO, onde se produz um vinho universalmente conhecido sob a designação Porto. O Alto Douro é um exemplo de paisagem que ilustra diferentes etapas da história humana e representa uma paisagem cultural evolutiva viva. O que justifica o facto desta região integrar um grupo restrito de locais que detêm o epíteto de Paisagem Cultural, uma designação criada em 1992 pela UNESCO para as paisagens que combinam o trabalho humano com os valores culturais. Ali, o paraíso aparece na forma de socalcos com vinhedos, formados ao longo de séculos de suor. Tem como símbolo o vinho do Porto, uma paisagem fantástica, um património rico e inigualável. Para além da rota do vinho, a região tem ainda muitos outros factores de atracção turística. As festas populares que em Agosto atraem à Régua cerca de 40 mil pessoas para o lançamento do fogo-de-artifício do meio do rio Douro continuam a encantar os visitantes. Mas os turistas podem ainda optar por formas mais modernas de divertimento, como os desportos náuticos, turismo rural em diversos solares ou o festival de música electrónica Dance In Douro, que há quatro anos se realiza na cidade, nas margens do rio.
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Sábado, 26 de Junho de 2004
Drummond
"Quem teve essa idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a trabalhar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano cansar. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra adiante vai ser diferente."


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Quarta-feira, 23 de Junho de 2004
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Não há recomeço. Sempre que tentamos reconstruir aquilo que ruiu, sem nos livrarmos, por completo dos escombros, estamos a fazer como as crianças que brincam com castelos de cartas. Para cada castelo que desmorona, construímos um novo, sobre as cartas antigas. E os castelos continuam a ruir, até que a pilha de cartas caídas atinge a altura dos nossos olhos, e somos obrigados a enxergá-la. Sexta-feira faço anos, há já alguns anos que não gosto deste dia. Sinto-me triste. E este ano mais do que nunca.


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Terça-feira, 22 de Junho de 2004
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Podia cometer um crime assassinar o culto do teu sorriso mas se deixares de sorrir em mim é o suicídio, amor, que não preciso.



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al berto in O anjo mudo (Cartas)

 

Quando o vento se levanta e passa, tua cabeça, adormecida põe-se a brilhar. Em redor dela um halo de sombra onde a minha mão entra, vagarosamente, pedindo-te um sinal.
Procuro o rosto com os dedos afiados pelo desejo. Toco a alba das pálpebras que, de súbito, se abrem para mim.
Um fio de luz coalha na saliva do lábio.
Ouvimos o mar, como se tivéssemos encostado a cabeça ao peito um do outro. Mas não há repouso nesta paixão.
O dia cresce, sem luz  e os pássaros soltam-se do pólen dos sonhos, embatem contra os nossos corpos.
Nada podemos fazer.
Um risco de passos ensanguentados alastra pelo chão da cidade. A noite cerca-nos, devora-nos. Estamos definitivamente sozinhos.
Começamos, então, a imitar a vida um do outro. E, abraçados, amamo-nos como se fosse a ultima vez
O tempo sempre esteve aqui, e eu passei por ele quase sempre sozinho.
No entanto, recordo: deixaste-me sobre a pele um rasgão que já não dói. Mas quando a memória da noite consegue trazer-te intacto, fecho os olhos, o corpo e a alma latejam de dor.
Dantes, o olhar seduzia e matava outro olhar. Agora odeio-te por não me pertenceres mais. Odeio-te. Abro os olhos. Regresso ao meu corpo e odeio-te. E, quem sabe se no meio de tanto ódio não te perdoaria mas ambos sabemos que o perdão não existe.
Se fugias, perseguia-te. Mas o olhar começava a cegar. Sentia-te, já não te via. E o pior é que o tacto também esqueceu, rapidamente, a sensualidade da pele e o calor do sexo. O rosto aprendido de cor.
Hoje, tudo se sobrepõe. Nomes, rostos, gestos, corpos, lugares um montão de cinzas que me deixas-te como herança.
Não devo perder tempo com ciúme. A paixão desgastou-me. E nunca houve mais nada na minha vida  paixão ou ódio.
Só isto: se me aparecesses agora, tenho a certeza, matava-te.
 


publicado por SigurHead às 10:14
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Miguel Sousa Tavares, Eternamente
E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre.


publicado por SigurHead às 08:33
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Sexta-feira, 18 de Junho de 2004
al berto in, O anjo mudo (Carta de Milfontes)

 

Foi em 1978, no Verão que te conheci. Nesse ano, num dos poemas de «doze moradas de silêncio» citei Rilke: «Uma só coisa é necessária: a solidão, a grande solidão interior. Caminhar em si próprio e, durante horas, não encontrar ninguém é a isto que é preciso chegar.»
Depois a paisagem onde nos encontramos desapareceu, a pouco e pouco, num desfocado adeus. Eu escrevia, fechado num quarto de pensão, e tu retiravas-te do meu quotidiano. Morrias longe de mim.
O corpo que hoje regressa a Milfontes já não é o corpo esplêndido que conheceste. Se há coisas na vida que contam com o tempo, são a amizade e a velhice.
O olhar embaciou-se para o que me rodeia. Hoje, sem ti, já não consigo pressentir a sombra magnifica da noite sobre o rio. Nada se acende em mim ao escrever-te esta carta.
Só a foz do rio parece guardar a memória de uma fotografia há muito rasgada. O vento, esse, persegue a melancolia dos passos pelas dunas.
É possível que os Verões ainda sejam o que eram com os corpos estendidos ao sol, e a oferenda de um sorriso malicioso a confundir-se com o marulhar das águas.
Mas ninguém possui verdadeiramente alguma coisa. As coisas do mundo pertencem a todos e, sobretudo, a quem aprendeu a nomeá-las. E eu já não consigo nomear nada. Não me lembro sequer de um nome que resuma o movimento desastroso dos dias.
O teu rosto deixou de se acender na ilusão de te possuir mais uma noite.
Nada evoca esse tempo de frémitos de asas sobre a pele. Nenhum rumor do rio sobe até mim. Nenhuma ferida ficou por sarar.
Deixei que os ventos e as chuvas apagassem o desejo no rastro dos répteis incandescentes. Sinto-me como a haste quebrada da urze ao abandono nas areias varridas pelo oceano.
Contemplo as dunas, o casario contra a noite que se fecha, as luzes, o rio, as sombras das pessoas, o mar como uma lâmina sob a lua  e a ausência alastra em mim, cortante.
Sento-me onde, dantes, me sentava contigo, perto do farol. O que me rodeia move-se no interior surdo de suas próprias sombras. É um movimento invisível através de territórios que o olhar mal assinala. Concentro a minha atenção nesses lugares que a luz não pode alcançar. Lugares escuros onde se escondem receios antigos e desilusões.
Mantenho-me imóvel, tacteio teu rosto diluído na salina claridade do entardecer.
Adormeço ou começo a subir o rio para fugir à imensa noite do mar.
Escreve-me, peço-te, enquanto a tua imagem permanece nítida perto de mim.
Vou prosseguir viagem assim que o dia despontar e o som do teu nome, gota a gota, se insinue junto ao coração.


publicado por SigurHead às 23:45
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Exupèry
"[...] O essencial é invisível aos olhos [...]"


publicado por SigurHead às 00:38
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Quarta-feira, 16 de Junho de 2004
Vezes sem conta
Espero curar-me de ti. Deixar de fumar-te, de beber-te, de pensar-te. É possível. Reunir todas as palavras pronunciadas e atirar-lhes fogo e depois aquecer-te com a fogueira do amor queimado e queimar também o silencio porque as melhores palavras de amor estão entre os gestos que não dizem nada. Reunir todo o amor do tempo e oferecer-to para que faças dele o que quiseres: guarda-o, acaricia-o ou atira-o o lixo. Já não serve para nada é certo. Tenho uma noite em mim tão escura que nela me confundo e paro. O teu sorriso sabe-me a Mysteries de Beth Gibbons & Rustin Man ouvido no chão com a sala às escuras. Escrevo na escuridão o teu nome , escrevo que te amo tudo na escuridão para que nada nem ninguém me observe. 2h, 3h, 4h da manhã andando de um lado para o outro. Louco cheio de ti, iluminado, cego repito vezes sem conta o teu nome e estou seguro que vai amanhecer. É principalmente a noite que sinto a tua falta.


publicado por SigurHead às 09:56
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Terça-feira, 15 de Junho de 2004
Gabriel Garcia Marquez
Se, por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapo e me presenteasse com um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso, mas, certamente, pensaria tudo o que digo. Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam. Dormiria pouco, sonharia mais, pois sei que a cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os demais parassem, acordaria quando os outros dormem. Escutaria quando os outros falassem e gozaria um bom sorvete de chocolate. Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, vestir-me-ia com simplicidade, deitar-me-ia de bruços no solo, deixando a descoberto não apenas meu corpo, como minha alma. Deus meu, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperaria que o sol saísse. Pintaria, com um sonho de An Gogo, sobre estrelas, um poema de Mário Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à Lua. Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos espinhos e o encarnado beijo de suas pétalas. Deus meu, se eu tivesse um pedaço de vida, não deixaria passar um só dia sem dizer às gentes - amo-vos, amo-vos. Convenceria cada mulher e cada homem que são os meus favoritos e viveria apaixonado pelo amor. Aos homens, provar-lhes-ia como estão enganados ao pensarem que deixam de apaixonar-se quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de se apaixonar. A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas deixaria que aprendesse a voar sozinha. Aos velhos, ensinaria que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento. Tantas coisas aprendi com vocês, os homens... Aprendi que toda a gente quer viver no cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa. Aprendi que, quando um recém-nascido aperta, com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo de seu pai, o torna prisioneiro para sempre. Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar. São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas, finalmente, não poderão servir muito porque quando me olharem dentro dessa maleta, infelizmente estarei morrendo."


publicado por SigurHead às 10:29
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