Porque sabes que eu estou aqui. Porque eu sei que me sabes ler no silêncio.
Domingo, 13 de Junho de 2004
...
Por trás dessa porta está a minha dor, se a abrir sei que o meu coração vai padecer em lenta agonia. Mas sei que a devo abrir e enfrentar a angustia da tua ausência, o abandono e o silencio, devo ser forte e se preciso for morrer para que me faça sentir. Para que serve a vida se não arriscamos por aquelas coisas que sentimos? Se me encolho quando te recordo é porque a minha pele está marcada para sempre com o teu fogo. Saudades dos nossos corpos em brasa a queimar de desejo. Da-me de novo aqueles orgasmos. Não quero despertar. Não quero voltar abrir os olhos. Quero ficar aqui onde gira a minha cabeça, onde te encontro o meu lado, onde o teu calor me habita e os teus braços me são familiares.Não quero viver a dor, quero dormir o prazer. Quero dormir, quero dormir, dormir, dormir, morrer. Abro a porta e morro com um sorriso nos lábios, venci o frio e morri ao escutar o meu coração.


publicado por SigurHead às 04:29
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Sábado, 12 de Junho de 2004
Shakespeare - Hamlet
 
Eu poderia viver preso numa casca de noz e me sentir rei de espaços infinitos, se não fossem os maus sonhos que tenho.


publicado por SigurHead às 22:04
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Sexta-feira, 11 de Junho de 2004
E eu não estava
Antecipaste [em mim] o cheiro dos nenúfares, dos crisântemos, das espigas debulhadas, do centeio semeado pelos campos, do teu corpo [no meu] espalhado nas águas do rio, poluído agora com os nitratos do teu amor. E o corpo do rapaz de Bagdad estremeceu ao tocar do último tambor e a cabeça de John rolou... rolou... rolou... no imaginário do espectador ocidental. Instalando-se a indiferença, zipando as cabeças e os membros decepados, a irreverência, o lucro imediato, a história dos milhões, a foto da rapariga afegã, o míssil, o olhar rebelde do rapaz e o dono do relvado. E o sangue dos tigres imponentes e majestosos jorrou no firmamento. E eu não estava...


publicado por SigurHead às 22:59
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...
Não é necessário destruir para poder reconstruir nem tão pouco perder-se para voltar a encontrar-se muito menos morrer para voltar a renascer talvez.


publicado por SigurHead às 00:48
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Quarta-feira, 9 de Junho de 2004
João Norte- Intro.Vertido
Não quero o teu silêncio. O teu silêncio é opressor dos nossos sentimentos. Quero que grites. Quando nos amamos não gritas. És egoísta. Guardas para ti aquilo que sentes ou não sentes nada. Eu quero partilhar aquilo que sentes. Tu não fazes amor comigo. Tu fodes em silêncio como se foder fosse uma obrigação, um acto banal, sem interesse e sem entusiasmo. Como uma refeição sem fome e sem tempero, em qualquer dia banal da vida quotidiana. O teu orgasmo é apenas físico, mera explosão de energia, mudo, contido, sem som, nem expressão do teu rosto. Fodes sem raiva, cada vez com menos raiva. Eu não quero foder sem amor nem raiva como quem abre gavetas e se deixa encher das tuas vaidades imundas. Quero esse acto como acto de amor partilhado. Não quero que o teu grito se perca no vazio do espaço silencioso, na penumbra das noites sem história, no fundo perdido da nossa memória. Quero que os nossos gritos de amor façam calar o ruído do mar, o uivo do vento que sopra nos montes gelados do Inverno do nosso viver, o grito dos fantasmas que me atormentam. Que se calem os tambores, as flautas dos poetas falhados. Quero que este grito passe de geração em geração. Se transmita no meu sangue como o pecado que herdam todos os amantes.


publicado por SigurHead às 22:50
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A criança em ruínas
Como não tenho lugar no silêncio onde morrem as gaivotas, despeço-me no oceano e deixo que o céu me conheça. Talvez a serenidade possa ser as minhas mãos a serem uma brisa sobre a terra e sobre a pele nua. Esse dia, esperança de amanhã, poderá chegar e estarei dormindo. Hoje, sou um pouco de alguma coisa, sou a água salgada que permanece nas ondas que tudo rejeitam e expulsam na praia. As gaivotas sobrevoam o meu corpo vivo. Os meus cabelos submersos convidam o silêncio da manhã, raios de sol atravessam o mar tornados água luminosa. Aqui, estou vivo e sou alguém muito longe.


publicado por SigurHead às 22:36
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Segunda-feira, 7 de Junho de 2004
Chegada a hora
 
Quando for chegada a hora, e me perguntares, olhando-me nos olhos, se sei qual direcção devo tomar. Responderei então que tomarei aquela, e todas elas, todas as outras. Divido-me em muitas, desfaço-me em poucas, espalho-me em tudo e termino a caminhada, juntando todos os meus pedaços.
 


publicado por SigurHead às 22:14
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Sábado, 5 de Junho de 2004
João Norte- Intro.Vertido
Odeio-te porque não me amas. Embora julgues o contrário. O contrário de tudo. Julgas que te amo só porque me deito contigo. Não distingues amor de desejo. Sim, eu desejo-te. Desejo-te porque te amei. Amei-te e criei em mim a ilusão que podia criar em ti o amor como se o amor se plantasse como quem planta legumes ou flores, as rega e as vê crescer. O amor não é uma planta, é um sentimento. Agora eu compreendo que em ti não há sequer sentimentos. O único sentimento que se podia dizer que possuis é da posse, mas isso não é um sentimento é uma força bruta que te arrasta e te faz arrastar os outros que queres possuir e chegas a confundir isso com amor. Também eu confundi. Confundi a realidade com os meus desejos. Eu queria amar-te e ser por ti amado. Queria sentir a tua presença mesmo na tua ausência. Queria que estivesses dentro de mim e que nada conseguisse expulsar-te. Que fizesses parte de todos os meus actos, de todas as minhas decisões, de todos os meus movimentos, como se fosse a tua inteligência a decidir com a minha numa só. Queria sentir o teu cheiro e o teu corpo em tudo o que tocasse, como se, na ponta dos meus dedos, estivesse sempre o veludo da tua pele. Odeio-te pelo sangue das feridas que deixaste abertas e que eu lambo para te sentir. E não consigo expulsar-te porque enquanto as feridas sangram tu estás presente, sinto a dor como se te sentisse. Elas são o teu rasto, a tua obra, o sinal da tua presença, a tua modificação do meu sentir, do meu ser. Um ser que se acomodou à ilusão de te amar e se confunde como tu te confundiste. Odeio-te na pessoa da florista a quem já não compro flores, porque não há ninguém a quem as oferecer. Odeio-te nos cigarros que fumo para matar o tempo infinito em que não existes, e não sei se são os cigarros que me vão matando se é a tua lembrança. Odeio lembrar-me de ti e não conseguir esquecer-te. Odeio esta necessidade do teu sexo esperando por mim. Odeio-te porque talvez ainda te ame!


publicado por SigurHead às 20:30
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Inesperado amanhã
 
O amanhã traz sempre o inesperado, e saber que esperamos o inesperado ainda torna o amanhã mais amanhã ainda que, por vezes, sejamos tentados por uma renovada ânsia do que ficou por descobrir...
 


publicado por SigurHead às 19:18
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Eugénio de Andrade in "Adeus"
 
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.


publicado por SigurHead às 15:47
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