Porque sabes que eu estou aqui. Porque eu sei que me sabes ler no silêncio.
Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2005
Nosso tempo
Começamos por não aceitar o tempo. Foi uma escolha? Mas quando tudo se foi acalmando, não sabíamos mais como lidar com isso. O tempo era bom? O tempo é para sempre. Repetir diariamente na tentativa vã de convencer a lidar com o que não se quer. A distância. Mas, tudo continua a acontecer. Tudo continua na distância na ânsia de estar a amar e estar preso. Tentamos não acreditar que o dia já passou. Foi assim, numa sucessão de dias, alguns mais longos do que outros, muitos incompletos. Partidos ao meio, sem razão. Dias quase noite de tão escuros tentando inutilmente esquecer o tempo. Não tivemos tempo bastante para escolher. O nosso tempo foi encolhendo aos poucos. Que dor perceber que o que falta em clareza sobra em desejo. Onde chegamos? Não sei. Eu ainda não cheguei. A verdadeira vida sorri longe, indecifrável. Recolhi-me cada vez mais. Agora sou sobrevivente. E assim estamos em reticencias.


publicado por SigurHead às 22:54
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Sábado, 15 de Janeiro de 2005
Infância
Foi luz e trevas, foi calor e frio, foi tudo e nada. De que nada posso e de que aquilo que quero não conta. É hoje certeza de que o que possuo não é meu mas do destino. Apenas celebrei a vida. Não vivo a vida é a vida que me vive. Hoje no meu sonho voltei a ser menino e revi a insónia da infância perdida. Sonhei com dias de sol, estradas estreitas ladeadas por socalcos e o Douro. O rio a quem tudo devem. (lembras-te, mãe, como eu gostava de acordar cedo para te acompanhar. Passou tanto tempo sobre esses Setembros . todos os anos no começo do Outono voltava a colheita fruto do esforço de um ano) Velho mundo onde tenho raízes. Sempre que volto a essas margens que se abrem miraculosamente entre a memória e as saudades sinto que sou usufrutuário de uma herança sagrada, que só merecerei se nunca me esquecer que Trás os Montes e Alto Douro é um berço onde tenho de nascer todas as horas e morrer um dia. Sou do meu tempo, bem o sei, ou bem o quero saber, porque não é fácil assumirmo-nos com o tempo que nos aconteceu.
 


publicado por SigurHead às 16:32
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Passagem das horas
passagemdashoras.jpg




publicado por SigurHead às 15:07
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Lunário II
Um dia quando a minha memória de homem fugitivo alcançar a idade de um deserto, debruçar-me-ei num poço e tentarei beber o tempo esquecido do teu rosto. Estarei lucidamente morto, eu sei. E a minha cegueira surgirá cercada por frondosas árvores e pássaros, mas não os verei mais. O rosto, o teu rosto, já não conseguirá atrair-me para o fundo circular do poço. O tempo da sedução terminou. Terás de me tocar, terás de trocar o tacto dos olhos pelo tacto dos dedos. Apenas persistirá o jogo, a cumplicidade, e uma ténue vibração do corpo que se perdeu contra o meu corpo. Por isso me ergo daqui e atravesso estas imagens coladas às paredes, e ao atravessá-las descubro que estou perdido, e condenado também a perder-te. Levanto-me do fundo de mim mesmo e abandono a casa e vou pela memória daqueles vestígios que se me cravam no interior das pálpebras, mas não semeio nem recolho nada. Apenas persigo os passos que outrora abandonei onde te procurei antes mesmo de saber que existias. E perco-me, perco-me onde a sombra dos corpos é um sudário de melancolia sobre o mar. Mas, ainda aqui estou, quase vivo, atento ao movimento perene de tuas mãos sobre o meu corpo.


publicado por SigurHead às 14:00
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Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2005
Despedida
poemadespedida.jpg



publicado por SigurHead às 22:44
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Feliz Aniversário.
Gostava de te escrever hoje algo diferente de tudo que já te escrevi e falei. Uma mensagem sem rasuras ou uma única gota de tristeza das lágrimas a escrever esta carta. Que ao lê-la o teu coração pulsasse mais rápido, os teus olhos brilhassem mais e os teus lábios pudessem sorrir, comovidos. Uma carta simples, mas espontânea. O meu presente de aniversário para ti é o que tenho de mais precioso, porque é um pouco de mim mesmo onde se encontra tudo que há em mim de mais puro, verdadeiro, sagrado e pessoal acompanhado da vontade de te ver sempre feliz. Se quiseres, podes chamá-la "Amizade" ; ou, mais correctamente ainda, "Amor". Que esta felicidade que te auguro hoje te acompanhe sempre, sempre. Quero que saibas que valeu apena conhecer-te, valeu apena deixar o destino fazer-nos encontrar. Gostava que Deus subscrevesse a sorrir, tudo o que acabei de escrever! Existe uma coisa que realmente vale a pena. Um sentimento que conduz as nossas vidas por um caminho tranquilo que antes não imaginava existir. Mostras-te que na inconstância das coisas passageiras existe sempre uma palavra, um gesto que devemos guardar eternamente. Quero aproveitar o teu aniversário para te dizer que todos os momentos que passei ao teu lado ficarão guardados no meu coração. Estou feliz e quero dividir contigo, tornando o teu aniversário ainda mais especial.
Parabéns pelo teu aniversário.
Beijos


publicado por SigurHead às 00:37
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Terça-feira, 11 de Janeiro de 2005
Lunário
"Subo à macieira sonhada pela criança, colho maças pintadas a marcador amarelo. E numa delas descubro a lagarta às riscas, como a tua camisola de marujo. Era quase noite, recordo-me, quando desci da árvore e a criança que foras antes de mim não tinha nome. Hoje, salto desta folha de papel para a noite, perco a infância na poeira dos dias. Regresso lentamente à minha idade, e um astro refulge sobre o teu rosto adormecido. Perdeste o nome como eu há muito perdera a infância. Mas quando o teu olhar me sulca e fere o corpo e me devolve, por segundos, o que perdi, há um amanhecer feliz. E tens um nome e não voltaremos a estar sozinhos."


publicado por SigurHead às 00:10
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Domingo, 9 de Janeiro de 2005
Era a minha vez
Hoje pensei em ti, ao passar casualmente nos lugares comuns onde coexistíamos felizes. Tu à tua maneira e eu à minha. No jardim de betão que a tanto assistiu entre nós. Nos nossos sítios. Sim, foram nossos. Por breves segundos semicerrei os olhos e recordei-te. Sereno como nunca, num sonho perdido. O meu sonho perdido. Continuo agora com o pensamento em ti reflectindo hipoteticamente todos os ses em nós, no passado, no presente, no não futuro. Amar é perder, agora sei. Amar é amar tanto que não interessa com quem. Dizer que és livre como o vento para partir sem rumo e voltar apenas quando te cansares do mundo e dos amantes, quando a vida não tiver mais segredos, quando te sentires só, quando o teu coração pensar em mim e apertar, eu estarei por aqui e não serei uma amarra. Tiro uma passa mais prolongada, esmago o cigarro no desterro do cinzeiro, cheio de beatas e cinza, cinza desfeita como eu. Aquele que conheceste não era eu, esse não sabia. Amava demais. Não pensava nos custos nem nas consequências, magoou-te tantas vezes que perdeu a conta. Hoje cresceu e ainda te ama. Amar, agora sei. A nossa música não toca mais, passou de moda. Tudo o que resta do amor de outrora, dos teus sorrisos abertos no escuro, do veludo da tua face morna na palma da minha mão, são os sons abafados num canto da memória, sons velhos, quase inaudíveis, como vinil gasto de discos esquecidos de 45 rotações. Não é justo, eu sei. Mas também não há sitio nenhum no mundo onde esteja escrito que o amor tenha que ser justo ou condescendente com toda a gente que acredita nele. Mesmo assim esperei. Esperei o meu lugar na fila como qualquer outro espera. A minha vez havia de chegar inevitavelmente, pensava. E era a minha vez, acreditava. Era a minha vez de tentar mostrar-te que o mundo não precisava de ser imperfeito, que o amor pode existir entre duas pessoas, apesar de diferentes e estranhas, apesar de serem seres de mundos diferentes. Mas o destino sabe mais de nós que nós sabemos dele. Brinca connosco de forma cruel, entrelaçando os nossos dias no quotidiano trivial, separando-nos depois como o dia e a noite separam o sol e a lua, fazendo com que estes amantes nunca se encontrem, mas para sempre se desejem. E assim foste de mim. Os bilhetes acabaram no momento de os comprar e a bilheteira fechou as portas deixando-me fora do show, fora de ti. Não é justo. Era a minha vez sabes? Depois dos outros todos. A minha vez. Mas a musica não toca mais. A nossa música sabes? Saiu das rádios e já só é ouvida por quem gosta mesmo, por quem é apreciador, escutada por quem lhe dá sentido, amada por quem a vive e revive como um momento perdido atrás. Algo que já não volta. A nossa música já não toca mais, apenas se tu ou eu a quisermos recordar, apenas se ainda tivermos tempo para parar e escutar um pouco, aí ela toca, nos nossos corações.


publicado por SigurHead às 18:49
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Sábado, 8 de Janeiro de 2005
Meu jeito
Todo seu.jpg
 
Preciso fazer do meu jeito amor contigo...


publicado por SigurHead às 15:52
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Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2005
Pessoas
As pessoas são como livros. Há os apaixonantes, divertidos, aborrecidos, insuportáveis.... Alguns são recomendados por alguém, outros és obrigado a ler, outros escutas-te falar bem deles e tens curiosidade, outros chamam-te a atenção no principio mas a medida que vão passando as paginas deixam de te interessar e outros caem nas tuas mãos não se sabe muito bem como mas agarram-te irremediavelmente para sempre. há os que tem somente três paginas mas inesquecíveis, há os que duram meses e gostas muito mas não os voltas a ler, há os que não te dizem nada e há aqueles que não voltas a olhar mas recordaras para o resto da tua vida. É tão difícil encontrar as boas pessoas como os bons livros. Obrigado aquelas pessoas que são para mim como os meus livros de cabeceira. Nunca deixarei de reler as vossas paginas com amor.


publicado por SigurHead às 21:30
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