Porque sabes que eu estou aqui. Porque eu sei que me sabes ler no silêncio.
Sábado, 12 de Março de 2005
...
Deixas-me só, isolado na vida e com medo do mundo, foste embora. Sorrias quando te falava em adultério, amor não autorizado, dizias só: somos felizes, não é? Talvez no meio da confusão que deixaste encontre uma pista para te encontrar, quem sabe um dia (o tempo pode ser infinito, assim como o meu desejo por ti). Hoje, agora que começo a perceber que só posso beber solidão em goles grandes, sinto a tua falta. Não era só ter-te deitado no sofá a fazer festas na barriga enquanto um filme francês nos distraía. Não era só ver-te a tentar cozinhar (tu nunca soubeste cozinhar, mas divertias-te a tentar). Não era só ter-te a soprar beleza ao meu ouvido, que depois a beleza se transformava na tua língua que depois descia pelo pescoço. Não era só isso, não eras só tu, éramos nós (apesar de na verdade nunca termos existido). Eu existi para ti? Nunca quis saber, penso que também não te interessasse. O que nos bastava era o momento. Para onde foi ele agora? Levaste-o contigo. Agora que te foste embora sem avisar, que deixaste a casa desarrumada, vou continuar a seguir-te e a sorrir aos teus acenos e quando, um dia perdido no infinito do tempo, nos cruzarmos não vou fazer perguntas, o amor não é curioso, vou-me deixar levar num beijo porque é assim que tudo acaba bem. À parte das saudades, hoje já sei que serás sempre aquilo que então já eras: um sedimento. Juntos podiamos ter sido uma rocha.


publicado por SigurHead às 11:08
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1 comentário:
De Anónimo a 14 de Março de 2005 às 03:43
Nao me conheces, vi o endereço do teu blog num whois q te fiz no irc e por curiosidade vim ler, coisa q costumo fazer muitas vezes, e n sei se por lamechice ou pk os teus textos me fazem recordar algo dei por mim de lagrimas nos olhos.Alguem
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