Porque sabes que eu estou aqui. Porque eu sei que me sabes ler no silêncio.
Segunda-feira, 13 de Março de 2006
Quebramos os dois

 

               Era eu a convencer-te que gostas de mim
                  E tu a convenceres-te que não é bem assim...
                     Era eu a mostrar-te o meu lado mais puro
                        E tu a argumentares os teus inevitáveis

                           Eras tu a dançares em pleno dia
                              E eu encostado como quem não vê
                                Eras tu a falar para esconder a saudade
                                  E eu a esconder-me do que não se dizia

                                     Afinal, quebramos os dois...

                                        Desviando os olhos por sentir a verdade
                                          Juravas a certeza da mentira
                                            Mas sem queimar demais
                                               Sem querer extinguir o que já se sabia

                                                  Eu fugia do toque como do cheiro
                                                    Por saber que era o fim da roupa vestida
                                                      Que inventara no meio do escuro onde estava
                                                         Por ver o desespero na cor que trazias

                                                             Afinal, quebramos os dois...

                                                           Era eu a despir-te do que era pequeno
                                                         E tu a puxares-me para um lado mais perto
                                                       Onde contamos historias que nos atam
                                                     Ao silêncio dos lábios que nos mata

                                                   Eras tu a ficar por não saber partir
                                                 E eu a rezar para que desaparecesses
                                               Era eu a rezar para que ficasses
                                             E tu a ficares enquanto saias

                                            ... Não nos tocamos enquanto saías
                                          Não nos tocamos enquanto saímos
                                         Não nos tocamos e vamos fugindo
                                       Porque quebramos como crianças

                                      Afinal, quebramos os dois...

                                   ... E é quase pecado o que se deixa
                                ... Quase pecado o que se ignora

 

Toranja - Quebramos os dois mp3

 

 

                

 
A nossa música não toca mais, passou de moda. Tudo o que resta do amor de outrora, dos teus sorrisos abertos no escuro, do veludo da tua face morna na palma da minha mão, são os sons abafados num canto da memória, sons velhos, quase inaudíveis, como vinil gasto de discos esquecidos de 45 rotações. Não é justo, eu sei. Mas também não há sitio nenhum no mundo onde esteja escrito que o amor tenha que ser justo ou condescendente com toda a gente que acredita nele. Mesmo assim esperei. Esperei o meu lugar na fila como qualquer outro espera. A minha vez havia de chegar inevitavelmente, pensava. E era a minha vez, acreditava. Era a minha vez de tentar mostrar-te que o mundo não precisava de ser imperfeito, que o amor pode existir entre duas pessoas, apesar de diferentes e estranhas, apesar de serem seres de mundos diferentes. Mas o destino sabe mais de nós que nós sabemos dele. Brinca connosco de forma cruel, entrelaçando os nossos dias no quotidiano trivial, separando-nos depois como o dia e a noite separam o sol e a lua, fazendo com que estes amantes nunca se encontrem, mas para sempre se desejem. E assim foste de mim. Os bilhetes acabaram no momento de os comprar e a bilheteira fechou as portas deixando-me fora do show, fora de ti. Não é justo. Era a minha vez sabes? Depois dos outros todos. A minha vez. Mas a musica não toca mais. A nossa música sabes? Saiu das rádios e já só é ouvida por quem gosta mesmo, por quem é apreciador, escutada por quem lhe dá sentido, amada por quem a vive e revive como um momento perdido atrás. Algo que já não volta. A nossa música já não toca mais, apenas se tu ou eu a quisermos recordar, apenas se ainda tivermos tempo para parar e escutar um pouco, aí ela toca, nos nossos corações. Ha musicas que parecem escritas por nós. Musicas que contam a nossa história. Musicas que nos matam. Nos dias ditosos chegam reflexos sonantes, melodias que carregam singulares certezas: pois a música é o resto de tudo e muito do resto embrenhado de mãos fechadas e vento corrente - imperceptível... e o vento, o vento que é gigante e tanta música. Como diz a musica  quebramos os dois.

 


publicado por SigurHead às 23:08
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1 comentário:
De G.S. a 15 de Março de 2006 às 02:57
Continuo aqui, atenta a tudo o q escreves, mas ando em fase solitária.

Perdoa se ñ comento... mas acredtia q tds os dias aqui venho ler-te!
bjs
miosotis


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